PT EN

Ana Pinto

2013

Parêntesis

É condição do ser humano o crescer e evoluir em sociedade. Só dentro de um sistema é que nos sentimos confortáveis e seguros, mesmo que esse mesmo sistema venha a ser também a causa da nossa estagnação e da nossa revolta. Este sistema no qual hoje nascemos, que se pressupõe evolutivo e empírico, é contudo frequentemente baseado em hipóteses cuja aplicabilidade é cada vez mais desfasada da realidade. Quanto mais a nossa sociedade opera através de máquinas e sistemas virtuais, mais difícil se torna defender outros interesses que não os puramente economicistas, pondo de lado outras realidades possíveis que abrangem outros valores mas que não satisfazem a filosofia de quem quer sempre mais e mais.

Vivemos hoje num mundo global, onde é fácil perder a noção do indivíduo ou da comunidade. As nossas acções são controladas por agentes exteriores que definem o que é melhor para nós sem nos consultar. Por toda a Europa, há valores, pessoas, culturas a serem esquecidas, relegadas para segundo plano em prol do Bem Comum Europeu. Vivemos em estado de sítio, numa bolha que começa a rebentar por todo o lado sem que muitos o queiram crer. Querem fazer-nos acreditar que tudo aquilo que hoje se passa à nossa volta é apenas um intervalo no discurso, um parêntesis de acção controlada e definida para nosso bem, para a nossa sobrevivência – quando a verdade é que o discurso deve e vai mudar. Porque o sistema falha, e há-se sempre haver a revolta e a procura por novas narrativas. E acredito que este parêntesis em que vivemos é apenas a preparação para o ponto final.

2011

Ecotono 7.0         

Um ecótono acontece quando dois ecossistemas se juntam e se misturam. 
No seio dessa tensão que é gerada, nascem organismos próprios que apenas sobrevivem enquanto essas duas forças opostas se mantiverem em equilíbrio.
Mas, em tudo existe um momento de fricção, de ruptura. Um desses ecossistemas acabará por dominar o outro e assim, esses organismos acabarão por desaparecer.
Iniciado em 2006, o Projecto Ecótono tem assim a pretensão de explorar escultoricamente esse conceito. 
Para tal, trabalha-se a partir de duas matérias equivalentes em força, resistência e durabilidade – a pedra e o metal. È a partir delas que são concebidas as esculturas que permitem expressar visual e processualmente essa luta entre duas energias.
Se no seu início, havia a procura de um equilíbrio entre as duas matérias, rapidamente o projecto evoluiu para uma maior preocupação com o ponto de desequilíbrio, com esse momento de quebra. Assim, nas esculturas, a pedra acaba sempre por perder em relação ao metal.

105 por 7

Bio

Ana Almeida Pinto nasceu na cidade de Gondomar em 1984.
Trabalha atualmente no Bonfim, Porto.
Mestrado em Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com dissertação sobre o tema “A Fisicalidade No Processo Escultórico - A Interacção Entre Matéria e Corpo Como Representação De Um Conceito”
Licenciatura em Artes Plásticas - Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
Seminário “Desenhar a Luz” pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
Curso Intensivo em Fotografia Analógica, pela Escola Secundária Especializada no Ensino Artístico Soares dos Reis