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Pedro Barreiros

2013

Gourmet, vale a pena?

A ideia central desta instalação/performance surge da necessidade de criar uma oposição filosófica entre o requinte de uma refeição construída pelas mãos de um chefe de cozinha e o acto primitivo da alimentação, desvalorizando o primeiro oposto. Por mais que tenham evoluído as sociedades nesta área, que conquistou espaços importantes à tecnologia, à ciência, à criatividade, … ao modernismo… na verdade, o acto de comer continua a ser em primeiro lugar um reflexo de uma necessidade de supressão da fome e o que realmente mudou com a evolução da humanidade foi a facilidade do acesso aos alimentos, transformando a fome natural noutras espécies de fome mais janotas. Esse caminho já vai longo para podermos recordar o seu início e nem sempre foi bem construído, dando origem a cenários onde a comida tem um alto valor especulativo, um valor de status, de vaidade e de poder.

Agora imaginem as pessoas de quatro, de rabo para o ar, frágeis… e uma composição de pratos gourmet montados directamente no chão, que elas vão degustar com a boca, sem mãos, sem talheres, sem guardanapos, sem dinheiro… apenas com um alto nível de atenção sobre a matéria-prima, para que ela seja entendida tal como é, como um resultado da terra… obrigando as pessoas a reflectir sobre a sua própria vulnerabilidade física perante a comida. A ideia é voltar ao início de tudo, ao chão, ao solo, ao cenário de onde nascem os alimentos e passar de uma formula actual em que a comida é entendida como um actor de mais um jogo económico-social, obrigando as pessoas a colocarem-se em posições menos nobres (ahahahaha) para um cenário mais real onde é somente o produto da união entre os esforços do homem e da terra e nunca da divisão entre quem pode e quem não pode.

Teremos de nos ajoelhar? Venham experimentar!

Bio

Sou o Pedro Limão, sou chefe de cozinha e tenho muitos projectos em mente mas um a funcionar: a oficina de cozinha, onde desenvolvo o trabalho em que acredito, uma cozinha despretensiosa e baseada nos produtos tradicionais portugueses, num ambiente familiar e flexível. o conceito de “non restaurant” é subjacente ao projecto em todos os aspectos, morais, logísticos e sentimentais. Resumindo, no Pedro Limão também se pode comer!